Chuva, Jamor e Taça: A Festa do CRE

Chuva, Jamor e Taça: A Festa do CRE

Quase uma semana depois e a cabeça não larga o último sábado, no Jamor. Apesar da chuva intensa, o sol apareceu por detrás das nuvens e deu uma grande alegria a todos os adeptos e simpatizantes do CRE.

“As finais não se jogam, ganham-se.”

Esta é uma frase que, ao longo da minha carreira de jogador, ouvi bastante. Não tive oportunidade de disputar muitas finais, mas, nas que joguei, a premissa estava bem presente. Já tinha sido feliz no Jamor – noutro campo, mas igualmente feliz –, já que há uns anos venci o CN1, pelo CRE.

Uma final será sempre uma final. Seja na PlayStation, num torneio de inter-turmas, numa corrida ou num torneio de bilhar. Ainda que não fosse a final que todos desejávamos, o sentimento de alegria não passa despercebido. É um título para todos os que por lá andam, para as mães de cada um, para os pais de cada um, para o Presidente, para os sócios, para os adeptos, para os simpatizantes ou para aqueles que, por uma ou outra circunstância, não sabem sequer o que é o rugby, mas apoiam na mesma.

Mas, vamos então ao jogo. CRE e Belas RC enfrentavam-se pela Taça de Portugal Plate (uma Taça disputada apenas por equipas do CN1 e CN2). O Belas teve um caminho difícil até chegar à final, enquanto o CRE beneficiou de duas faltas de comparência – que em nada tiram o mérito – para estar no jogo decisivo.

Fim de tarde, bandeiras no ar, vozes afinadas, bancadas compostas e outros tantos em casa, a ver na televisão. Estava dado o mote para a oval começar a rolar. Dezoito horas da tarde e o árbitro levou o apito à boca: começava o espetáculo. Apesar do favoritismo do CRE, bem sabemos que as finais nunca são fáceis e que o Belas tinha uma palavra a dizer, depois da grande campanha até ali.

O jogo começou dividido e com bola de parte a parte, mas, aos 5 minutos, a magia das linhas atrasadas do CRE fez-se sentir. Quebra de linha rápida, com Matheus Cruz a soltar o « intocável » Rodrigo Socorro, para, após um side-step “da casa”, abrir o marcador. Uns minutos volvidos e, após uma grande sequência defensiva, António Sequeira carregou o pontapé do número 10 do Belas e, com um passe bem ao seu estilo, serviu Frederico Barahona para mais um toque de meta.

O Belas tentava responder, utilizando, maioritariamente, o poderio dos seus avançados, mas encontrava pela frente uma linha defensiva bastante coesa e agressiva. Miguel Cristóvão estava em todo o lado e era a figura principal daquela muralha grená que se fazia sentir. Depois, e já a uns 2 metros da linha de ensaio do CRE, o capitão António Prates deu o exemplo e sacou um ‘turnover’ para fazer respirar os adeptos. 

Algumas faltas de parte a parte, mas com o Belas a conseguir instalar-se no meio-campo do CRE. Depois de algumas fases onde não progrediram, tentaram um ‘pontapé de ressalto’. A bola foi parar às mãos de Manuel Lobo e daí surgiu o terceiro ensaio do CRE. Uma, duas fintas e (mais) outra combinação com o amigo de infância, Rodrigo Socorro (qual TGV), para o jovem internacional sub-20 correr 50 metros e assinar o bis. Marcador em 21-0 e o Clube de Rugby de Évora voava para pôr as mãos na Taça.

A resposta do Belas chegou perto do intervalo. Formação-ordenada a 5 metros e, com um “pick and go” dos avançados, o número 6 a devolver alguma esperança à equipa de Sintra. Conversão pelo número 15 e 21-10 na ida para o intervalo.

O Belas entrou bem e encaixou mais três pontos, mas, após várias fases estáticas, o CRE conseguiu uma falta que trouxe algum oxigénio à equipa. Depois, o Belas conseguiu um grande período com a posse de bola (vantagens, bolas para a ‘touche’, várias fases), mas, num erro das suas linhas atrasadas, a bola foi parar ao suspeito do costume. Rodrigo Socorro pegou na bola, galgou mais 80 metros e selou o hat-trick. 

Ainda assim, o Belas não desistiu e correu atrás. Através dos seus avançados veio o segundo ensaio da equipa de Lisboa e o marcador apontava 34-18. O CRE montou uma bela jogada das suas linhas recuadas e, depois de trocar as voltas à linha defensiva adversária, Patrick Bruno mergulhou para o quinto ensaio dos alentejanos. 

O Belas ainda reduziu, mas António Prates acabou com as dúvidas, depois de uma boa sequência do CRE. O último ensaio foi dos ‘amarelos’, mas foi mesmo o CRE que carimbou a conquista da Taça Plate, ao vencer por 46-30. 

A terceira parte deu-se na Sede do Clube de Rugby de Évora (em Évora, claro está), com uma grande recepção aos jogadores, momentos de confraternização com todos os seus sócios e apoiantes e, acima de tudo, muita festa. 

Por fim, mas não menos importante, uma palavra para duas despedidas (anunciadas publicamente): Miguel Valente e João Pedro Oliveira. Dois símbolos desta instituição, dois jogadores com quem tive o prazer de partilhar grandes momentos, muitos treinos e muitos jogos. Duas pessoas que me ensinaram bastante e que deram tudo o que tinham e o que não tinham por este clube. Esta conquista é por eles, também. 

Uma época um pouco aquém das expectativas (fase de subida não alcançada), mas onde a equipa teve um prémio merecido – para muitos, o primeiro título de CRE ao peito – e que brindou a assiduidade e a entrega, mesmo em situações de aperto. Uma palavra para o Diogo Hernâni e para toda a sua Equipa Técnica que nunca deixaram de nos motivar e de tentar levar o CRE a bom porto. Fica um título, uma Final num grande palco e um grande dia. Viva ao CRE.

 

Manel Direitinho

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